sábado, 12 de março de 2011

Flavio de Carvalho

Flavio de Carvalho (escritor, pintor, cenógrafo...) cria e desfila moda masculina no centro de São Paulo em outubro de 1956.



sexta-feira, 4 de março de 2011

19 e 20 de Março em Salvador!!!


A Produção Magaiver tem o prazer de apresentar o mais novo espetáculo solo de I-na-ê. Inaê. I-na-ê. Inaê e com ela mesma: Palavra há Tempo. Há de haver. Palavra há Tempo

Direção: Pra frente. Que atrás vem gente. Pra frente.

O tempo é imortal. Ninguém nunca viu onde começa e ninguém terá tempo para ver o seu fim. O tempo devem. Devem do verbo Devir. É um vir-a-ser constante das coisas o tempo todo, o tempo inteiro no tempo intenso.

O tempo é Iroko, Saturno, Aión, Cronus, Kairós. O tempo é lento. O tempo é Tempo.

A Palavra como voz significada no tempo, nasce, toma corpo e sai por ai dando nome às coisas, explicando o mundo e produzindo linguagem para tentar dar sentido a existência. Na Modernidade, a palavra segue um leito de rio com interpretações limitadas e, em forma de verbete, desemboca no dicionário, excluindo a potência intensiva da Palavra.

Portando um figurino (concebido e construído por ela mesma) inspirado na Gameleira-branca, árvore sagrada de Tempo, Inaê mostra algumas transformações, significações e ressignificações que a Palavra obteve no tempo. Em seu novo espetáculo solo, PALAVRA HÁ TEMPO, com humor e dramaticidade, ela tece um texto em linguagem poética, juntamente a outras linguagens artísticas, no tempo da dança dos seus pés.

Inaê é o Cavalo de Tempo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

bbb11 e as confissões compulsórias de ariadna

mesmo sem acompanhar muito esse bbb11, tenho visto mais noticias publicadas pela internet e acessado o twitter do @boninho, o mais normal e estranho ao mesmo tempo que percebi foi: como a presença de três trabalhadores do ramo da pornografia é lida e entendida pela direção do programa, comentadores e pelo público.

vejamos os três casos:

rodrigo - saiu em várias revistas gmagazines e tinha sua foto publicada em um site de garotos de programas europeu (o site http://gayescortsamsterdam.com/ infelizmente foi retirado do ar a dois dias, mas a noticia saiu no portal terra http://diversao.terra.com.br/tv/bbb11/noticias/0,,OI4943838-EI17223,00-ExBBB+Rodrigo+aparece+em+anuncio+de+garotos+de+programa+gays.html e em muitos outros jornais, basta uma simples procurada no google). fazendo a pose de machão e estando com a mulher considerada a mais bonita do programa sua sexualidade não foi nunca confessada e ele nunca foi levado a confessar nenhuma de suas práticas. imune pela sua performance hetero e por uma suposta conformidade sexo/gênero.


maria - faz a pose menina carente/apaixonada que procura namorado para relacionamento sério e tratou logo de agarrar um bofe para a imunizar de qualquer confissão sobre a sua vida. o que importa para o programa é: como anda a relação de maria com mauricio? mauricio saiu do programa, será que maria vai ser fiel a ele? maria vai resistir aos encantos de wesley? mauricio vai perdoar a quase infidelidade de maria? pronto, é tudo que se tem a dizer da garota: em que medida ela vai ou não manter o paradigma de mulher monogâmica, submissa e fiel. imune pelo paradigma da heterossexualidade, porém não se sabe até quando imune pelas suas práticas ainda não confessadas mas sob suspeita de questionamento por mau-mau. (ontem mau-mau perguntou para vários "brothers" se eles se casariam com uma garota de programa, maria estava presente e nada respondeu). para mais informações sobre maria, basta buscar no google pelo seu antigo nome de trabalho "Meg Melillo".


ariadna - desde o começo do programa, o diretor boninho disse que a sua permanência no mesmo só seria possível diante uma confissão em rede nacional de que ela era uma "falsa mulher", que o público não toleraria essa mentira. o mesmo foi dito pelo apresentador alemão que acrescentou que ariadna não enganava ninguém que "ela tinha gogó" e uma voz estranha. ou seja, para alemão, para @boninho, para muitos jornalistas e também para a maior parte do público a única coisa que marcava ariadna era/é a sua falsidade.

ou seja, o sexo/genero e a sexualidade dela entendidas sob a logica da fobia/pecado precisa então confessar sobre suas práticas íntimas/secretas para receber a sua pena/castigo em televisão aberta e sob julgamento da direção e do público do programa (contabilizem quantas vezes @boninho disse que ela deveria confessar ser transexual ou uma "falsa mulher" via twitter), enquanto todos os outros trabalhadores do sexo ou não por apresentarem o estatuto da "normalidade" nada precisam confessar porque estao imunizados por um sexo/genero e uma sexualidade tidas como correta e normal.

o mais triste de tudo isso, é que dentro da casa quem instigou ariadna a confessar sua "falsidade" foram as duas binhas (daniel e lucival), que exigiram uma confissão dela, enquanto os mesmo se recusaram a falar das suas práticas sexuais já que isso estaria dentro do âmbito privado das suas vidas. ou seja, a transfobia está/esteve mais presente do que nunca entre gays que agora já começam a gozar de um estatuto de normalidade, mas isso já é um outro assunto....

domingo, 12 de dezembro de 2010

autoridade materna

a coroa que o tempo todo estava olhando o nosso encontro com sua cara blasé... se comportando como a tia mais velha que sabe de tudo... sem saber ela que na verdade a única coisa velha era a sua cara enrugada... porque de idade estamos bem juntinhos.... esboça uma reação ou melhor solta uma voz moderada quando escuta que ter filho é um barril... ela então mantendo o carão blasé diz cheia de autoridade que ter filho é lindo e que ela tem um... faz-se silêncio... falou a autoridade materna... eu deixo que ela fale... que se ponha enquanto experiência materna... da mulher sapatão, porém procriadora... para depois gargalhar na sua cara.... quer dizer que minha experiência de filho problema não é suficiente para dizer para a tia-chata que ter filho é um barril??? boa noite senhora.

domingo, 10 de outubro de 2010

Esboço de uma biografia

Com minha avó, eu apreendi o amor e me tornei uma feminista radical sem que ela jamais tenha se queixado da sua condição de mulher, com ela ainda aprendi sobre os sabores de um bom chá. Com minha tia, eu aprendi as dificuldades e os prazeres da profissão que abracei. Com minha mãe, eu aprendi a valentia e a paixão. Com minhas professoras de infância, eu aprendi a ler e escrever. Com Ingrid Caetano, eu descobri o anarquismo. Com Ana Cláudia, eu descobri a sociologia e a sedução. Com Daniela F, Anaiv e Virgínia, eu aprendi sobre a amizade e a experimentar a vida. Com Heloísa e Norma, eu aprendi a desfrutar. Com Fiona, eu aprendi a odiar. Com Janis, Nina, Billie, Ella, Gal, Bethânia e tantas outras, eu aprendi sobre a música. Com Hilda Hilst, Florbela e Alfonsina eu aprendi sobre a poesia. Com Tânia Lobo, eu aprendi a potência de uma aula. Com Mirella Márcia, eu aprendi que a crítica mata a poesia. Com Florentina Souza, eu aprendi a necessidade de ser radical. Com Butler e Preciado, eu aprendo a ser queer. Com Milena Britto, eu exercito meu olhar queer.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

estrangeiro

- Você parece estar fascinado pelas outras culturas, e não somente pelas culturas antigas; durante os dez primeiros anos de sua carreira, você viveu na Suécia, na Alemanha Ocidental e na Polônia. Este parece um itinerário um pouco atípico para um acadêmico francês. Você poderia explicar as razões que o motivaram a deixar a França e por que, quando você retorna em 1961, você teria, se me permite dizer, preferido viver no Japão?

- Há hoje, na França, um esnobismo do antichauvinismo. Espero que eu não seja, por meio do que eu disse, associado como representante desta atitude. Se eu fosse americano ou canadense, talvez eu sofresse com certos aspectos da cultura norte americana. De todo modo, eu sofri e sofro ainda muitos aspectos da vida social e cultural francesa. Esta é a razão pela qual eu deixei a França em 1955. Por outro lado, eu vivi também dois anos na Tunísia, de 1966 a 1968, mas por razões puramente pessoais.

- Você poderia lembrar alguns dos aspectos da sociedade francesa que afetaram você?

- Quando eu deixei a França, a liberdade em matéria de vida pessoal era terrivelmente restrita. Na época, a Suécia parecia um país muito mais liberal. Mas lá, eu descobri que ter um certo tipo de liberdade pode ter, se não os mesmos efeitos, pelo menos tantos efeitos restritivos quanto em uma sociedade diretamente restritiva. Esta foi, para mim, uma experiência muito importante. Depois, tive a oportunidade de passar um ano na Polônia onde, claro, as restrições e o poder de opressão do Partido Comunista é algo verdadeiramente diferente. Em um tempo relativamente pequeno, eu pude experimentar ao mesmo tempo o que era uma velha sociedade tradicional - como era a França dos fins dos anos quarenta e o início dos ano cinqüenta - e a nova sociedade livre que era a Suécia. Eu não diria que tive a experiência da totalidade das possibilidades políticas, mas tive uma amostra do que era, naquela época, as diferentes possibilidades das sociedades ocidentais. Essa foi uma boa experiência.

- Centenas de americanos vieram a Paris nos anos vinte e trinta, atraídos por aquilo que levou você deixar a França nos anos cinqüenta.

- Sim, mas se eles vêm hoje a Paris, não é mais, penso, a fim de encontrar a liberdade. Eles vêem para apreciar o sabor de uma velha cultura tradicional. Eles vêem na França como os pintores iam à Itália no séc. XVII: a fim de assistir ao declínio de uma civilização. De todo modo, o sentimento que experimentamos da liberdade é lembrado bem mais em países estrangeiros do que em nosso próprio país. Enquanto estrangeiros, podemos fazer pouco caso de todas essas obrigações implícitas que não são inscritas na lei, mas no modo geral de comportamento. Por outro lado, o fato apenas de mudar as obrigações é percebido ou experimentado como uma espécie de liberdade.


Michel Foucault in: Silêncio, Sexo e Verdade

sábado, 2 de outubro de 2010

inter/trans

"Mediante a constante migração de ida e volta, e o uso crescente de telefones, os aguilillenes costumam estar reproduzindo seus laços com gente que está a duas mil milhas de distância tão ativamente quanto mantêm suas relações com os vizinhos imediatos. Mais ainda, e mais geralmente, por meio da circulação contínua de pessoas, dinheiro, mercadorias e informação, os diversos assentamentos se entrelaçaram com tal força que provavelmente sejam mais bem compreendidos como se formassem uma única comunidade dispersa em uma variedade de lugares" (Canclini apud Roger Rouse, in Culturas Híbridas, Poderes Oblíquos - pág. 313).

robert rauschenberg

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Stonewall 40 + o que no Brasil?

Programação completa do evento que acontecerá em Salvador 15, 16 e 17 de setembro no Cinema do Museu, no bar Âncora do Marujo, no beco da Off e no Bahia Café Aflitos.


Dia 15 – Cinema do Museu (Corredor da Vitória, 2195)

15h - Mesa de abertura

16h – Mesa redonda: Os estudos e movimentos LGBT no Brasil pós-Stonewall

Coordenador: Dr. Djalma Thurler (professor da UFBA)

Participantes: Dr. Edward MacRae (professor associado da Universidade Federal da Bahia, um dos autores do livro O que é homossexualidade), Dra. Regina Facchini (pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu e professora colaboradora do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais, ambos da Universidade de Campinas, autora do livro Sopa de letrinhas: movimento homossexual e produção de identidades coletivas no anos 90 e Na trilha do arco-íris – do movimento homossexual ao LGBT), Keila Simpson (vice-presidente trans da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).

Debatedor: Dr. Luiz Mott (Grupo Gay da Bahia)

Objetivo da mesa: discutir, simultaneamente, os estudos LGBT, os estudos sobre o movimento LGBT e os próprios movimentos LGBT e as políticas públicas e identitárias adotadas nos últimos 40 anos.

18h – 19h – coquetel e lançamento de livros

19h – Mesa redonda: Os estudos, políticas e direitos sobre o corpo e a saúde LGBT no Brasil pós-Stonewall

Coordenadora: Dra. Milena Brito (professora da UFBA)

Participantes: Dr. Wilton Garcia (tem pós-doutorado em Multimeios pela Universidade de Campinhas, autor dos livros Corpo, mídia e representação: estudos contemporâneos e Homoerotismo & imagem no Brasil), Dra. Berenice Bento (professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Diversidade Sexual, Gêneros e Direitos Humanos, autora dos livros A (re) invenção do corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual e O que é transexualidade), Dr. Fernando Seffner (professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, autor de dezenas de textos sobre situações de vulnerabilidade a aids, representações culturais das masculinidades homossexuais e bissexuais e gênero).

Debatedora: Tess Chamusca Pirajá (mestranda do Programa Multidisciplinar em Cultura e Sociedade e integrante do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade)

Objetivo da mesa: qual é o “estado da arte” dos estudos sobre o corpo e a saúde LGBT no Brasil? Qual é a avaliação sobre as políticas e direitos sobre o corpo e a saúde no Brasil?

21h30 – Bate papo com Larissa Pelúcio seguida de performances de transformistas no Bar Âncora do Marujo (Avenida Carlos Gomes, 809, Centro).


Dia 16 – Cinema do Museu (Corredor da Vitória, 2195)


18h – Mesa redonda: Estudos, políticas e os marcadores sociais da diferença na comunidade LGBT no Brasil pós-Stonewall

Coordenador: Gilmario Nogueira (mestrando do Programa Multidisciplinar em Cultura e Sociedade e integrante do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade).

Participantes: Dr. Júlio Simões (professor de antropologia na Universidade de São Paulo, autor de vários artigos, capítulos e livros, entre eles Na trilha do arco-íris: do movimento homossexual ao LGBT, atualmente pesquisa a produção social da diferença por meio da articulação das categorias de raça, gênero, sexo, idade e classe), Dr. Osmundo Pinho (professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, autor de vários artigos sobre relações raciais, identidades sociais, sexualidade e gênero), Dra. Larissa Pelúcio (autora do livro Abjeção e Desejo - uma etnografia travesti sobre o modelo preventivo de aids, professora de antropologia na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho).

Debatedor: Nilton Luz (integrante do Fórum Baiano LGBT)

Objetivo da mesa: qual é o “estado da arte” dos estudos sobre as diferenças em relação à comunidade LGBT? Quais os desafios desses estudos? Como avaliar as políticas de respeito às diferenças e de combate aos preconceitos?

21h30 – Show de Valerie O’rarah e Ginna de Mascar e confraternização no Beco da Off (Barra)


Dia 17 – Cinema do Museu


18h – Mesa redonda: Novas perspectivas e desafios políticos atuais

Coordenadora: Patrícia Conceição (mestranda do Programa Multidisciplinar em Cultura e Sociedade e integrante do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade)

Participantes: Dr. Richard Miskolci (professor da Universidade Federal de São Carlos, coordenador do grupo de pesquisa Corpo, Identidades e Subjetivações, autor de vários textos publicados em revistas especializadas, um dos organizadores dos livros Dossiê sexualidades disparatadas e O legado de Foucault), Dra. Suely Messeder (professora de antropologia da Universidade do Estado da Bahia, autora do livro Ser ou não ser: uma questão para pegar a masculinidade, coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidades - Diadorim) e Deco Ribeiro (ativista e diretor da primeira Escola Jovem LGBT do Brasil, em Campinas).

Debatedor: Dr. Leandro Colling (coordenador do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS) e professor da UFBA)

Objetivo da mesa: quais são as novas perspectivas teóricas e conceituais dos estudos sobre a comunidade LGBT? Quais são os novos atores que emergem nesses estudos e discussões? Quais as políticas que esses estudos defendem? Quais são os desafios políticos atuais dos estudos e dos movimentos?

20h30 – Shows e festa de encerramento no Bahia Café Aflitos (Largo dos Aflitos, Centro) com a seguinte programação:

20h30 – 22h: DJ Chiquinho toca as músicas que marcaram a comunidade LGBT

22h – 23h30: Cortejo Afro, o bloco que respeita a diversidade sexual

23h30 – 24h: Show de Bagageryer Spielberg em comemoração aos seus 25 anos de carreira, com Dion, Sfat Auermann, Valerie O’rarah e Jubelíssima

24h – 0h30 – show com Claudia Wonder

0h30 – 1h30: Banda Samba das Moças

Inscrições para recebimento de certificados pelo extensaoihac@gmail.comEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. a partir do dia 16 de agosto (nome completo e curso/instituição)

Realização: grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), da Universidade Federal da Bahia.

Patrocínio: Governo do Estado da Bahia – via edital de Cultura LGBT

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

todos los poetas gays - martín garcía

todos los poetas gay
sienten placer especial en mostrar que son muy gay

todos los poetas gay
quieren que alguien los desprecie y se queje
de cómo está el mundo y piense
trolos de mierda
para ellos reírse
y hacer como que no les importa porque son superiores

todos los poetas gay a veces quieren
que no se considere su poesía como poesía gay sino
como que tiene un gran valor universal para toda la humanidad
pero ningún poeta gay
puede resistir la tentación de seguir hablando todo el
tiempo como una loca
de hombres y de pijas en sus poemas

todos los poetas gay son reiterativos y aburridos
y no tienen ningún vuelo poético
porque cuando un poeta gay llega al punto máximo de lirismo
de cualquier poema que está escribiendo
su cabeza nada más piensa pijapijapijapijapija
y ningún poeta gay puede resistirse a incluir en sus poemas
las palabras que más disfruta
golosinas para las bocas de todos los poetas gay
hablar de la pija su pija que me rompe el orto su enorme verga
su impresionante banana o sus litros de leche caliente etc

todos los poetas gay se preguntan si sus poemas no olerán mal
como calzoncillos sucios para los que no comparten
su calentura gay

todos los poetas gay
escriben muchos poemas gay en invierno
para estar calientes
y en verano no escriben muchos poemas
porque están demasiado calientes todo el día como para escribir

muchos se preguntan por qué
todos los poetas gay
no se cojen entre ellos

todos los poetas gay se deleitan en ser guarangos y asquerosos
y se excitan escuchándose decir frente a la gente cosas como
rompeme el orrrto
haceme el culo
cogeme bien papá
haceme rebalsar el agujero de guasca
haceme caca en el ojo
etc

todos los poetas gay en el fondo creen
que una película porno es mejor que un poema
y que una buena cogida es siempre mejor que todo
y por eso siempre se preguntan
por qué miran películas
y por qué escriben poemas

todos los poetas gays
aspiran a ser cristos o santos
y algunos poetas gay lo lograron
como San Juan De La Cruz

todos los poetas gay
escribieron alguna vez un poema de amor a una mujer
generalmente
a su madre

todos los poetas gay
preferirían ser estrellas ricas y famosas
y bailar como madonna en vez de escribir poemas gay
aunque una cosa no quita la otra

todos los poetas gay
escriben poesías
para conseguir chicos
por eso cuanto más viejos son los poetas gay
más poemas necesitan escribir

todos los poetas gay
tienen otro oficio además de poetas gay
por ejemplo hay poeta gay médico
poeta gay novelista
poeta gay maestro
poeta gay empleado
los poetas gay
son como los pitufos
que además de ser pitufos son otra cosa
como el pitufo músico
el pitufo filósofo
o la pitufina

todos los poetas gay
eligieron la poesía
frente a otros géneros literarios como el teatro o la novela
porque la poesía
era más fácil

algunos dicen que existe una cierta sensibilidad gay especial
que se puede percibir en el cine y en las novelas y en la poesía gay
todos los poetas gay
tienen una sensibilidad especial
especialmente
en el culo

todos los poetas gay
saben que la homosexualidad es genética
como todos los poetas gay
saben que la poesía también es genética
pero igual
hasta los poetas gay se ponen tristes
alguna vez
y sienten culpa por ser poetas gay
en vez de ser poetas hétero

todos los poetas gay
llevan su vida personal a la poesía
porque es más fácil que llevar la poesía a su vida personal

a todos los poetas gay
les gusta leer poemas gay
por eso antes de leer un poema
se hacen los boludos y se fijan rápido si hay alguna palabra clave
para ver si es gay o no

en Estados Unidos hay miles de libros de poetas gay
y antologías de poesía gay y editoriales de poesía gay
la mitad de los americanos gay
deben ser poetas gay
y esa es otra razón por la que amo Estados Unidos

los mejores de todos los poetas gay que conozco son
Shakespeare Pasolini Whitman Kavafis Ginsberg Cernuda
Purdy Perlongher Tennessee Williams y Pablo Perez
y el peor de todos los poetas gay
es Federico García Lorca
también es muy bueno el poema de Gabriela
que se llama concurso de tortas ganadora Sonia
quizás a los que no son gay
les dan ganas de ser gay
cuando escuchan un buen poema gay
como a mí me dieron ganas de ser torta
cuando escuché el poema de Gabriela

a ningún poeta gay
se le ocurre escribir poesías pensando
que sus poesías sirven para reemplazar a los hijos que no van a tener
pero a algunas poetas lesbianas sí
como Marilina Ross

todos los poetas gay
tienen sobrinitos

todos los poetas gay
aspiran a leer o escribir alguna vez
un poema gay que dé placer físico instantáneo
como la comida las drogas o el sexo
pero no se puede

sábado, 7 de agosto de 2010

Uruguai

"O Uruguai é um belo país da América do Sul, limitado ao norte por Lautréamont, ao sul por Laforgue, ao leste por Supervielle." (Murilo Mendes)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Copi

"Copi crea un mundo personal al margen de los poderes, de las instituciones que reglamentan, de los magistrados que condenan, de la palabra de los psicoanalistas, de los hospicios que hacen valer todo el poder de lo que ellos consideran licítio, los controles de vigilancia de la pedagogia o de la terapéutica. Ese mundo es un intento desesperado por entender que és ser homosexual"
(Copi: sexo y teatralidad - Marcos Rosenzvaig - p. 44)

terça-feira, 20 de julho de 2010

noticias

Ocho grados durante todo el día. Peu ha hecho lomo bien cocido, yo lavé los platos. Después vino, cigarrillos nuevos, mi nuevo perfume se llama Parisiennes. Leo Copi bebiendo vino, comienzo a creer que no se puede leer a Copi sin vino. Paso bien y admiro a mi cenicero nuevo. Todo va bien por acá.


terça-feira, 6 de julho de 2010

dionisiacas

vida longa a zé celso!

depois de dionisíacas não consigo mais ver qualquer teatrinho.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

queer

"queer remete a capacidade de articular praticas de experimentação entre erotismo, linguagem e desejos políticos como parte de um duplo movimento: por um lado, a negativa a aceitar prescrições de qualquer modo de normalidade e, por outro, a possibilidade de produzir dissidências no assimilável" (Silvia Delfino)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aos amigos queridos....

"Pessoas partem. Pessoas retornam, mas estas separações não são rupturas na intimidade. Nós estamos ligados não por vínculos de sangue, nem pelo lugar, mas por uma moralidade semelhante, a necessidade de viver a vida completamente e no presente, uma descrença no futuro, um respeito pela honestidade, uma necessidade de quebrar limites e uma história comum. Há entre nós uma habilidade em ouvir e compartilhar que ultrapassa a definição normal de amizade" (Nan Golding)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"Saber que o carinho de ontem é, hoje, hábito e, amanhã, indiferença, não tira a lembrança (mas que prazer há nisso?) do vivido. Se não há amor que dure para sempre tampouco a dor (eu me rebelo)."

Denilson Lopes - Caderno T - O Homem Que Amava Rapazes

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

notinhas de carnaval III

a prefeitura de salvador oficializou o transporte pau-de-arara
(daniela)

notinhas de carnaval II

sobre os cordeiros de carnaval:
99,7% são negros
0,03% não quiseram declarar a cor

notinhas de carnaval

sobre os filhos de gandy:
90% são brancos
83% pegam a fantasia de carro
93% fazem exercícios em academia
35% são pegáveis.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

camp

Aubrey Beardsley


Quadrinhos antigos de Flash Gordon

PS: Para Susan Sontag, os desenhos de Aubrey e os antigos quadrinhos de Flash Gordon são camp.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

No inferno de Dante

Na Divina Comédia de Dante ainda estou no inferno, mas já me preocupa saber que tipo de gente vive no purgatório ou pior ainda que tipo de gente vive no Paraíso. Serão lugares despovoados? Será terra de animais? Onde estará Deus que não o encontro no inferno?

Por enquanto, rio ao ler sobre os sodomistas. São dois curtos capítulos, porém extremamentes simbólicos por dois motivos: a) em todos os outros cantos do inferno, Dante ouviu relatos dos condenados, exceto no terceiro recinto do Sétimo Círculo. Ou seja, os "crimes" dos sodomitas são os únicos inenarráveis... o que Dante temia para não narrar esse pedacinho aconchegante do inferno?; b) outro ponto curioso é que existe mesmo no inferno um grande armário para os sodomitas. Observem o diálogo entre Dante e Brunetto: "Continuei conversando com Brunetto enquanto caminhava. Pedi que indicasse os mais famosos de seus companheiros; ele atendeu: "Quanto a alguns deles, farei como pedes. A respeito, porém, da maioria, é louvável deixá-los no silêncio...""

Essa tradição do armário pelo jeito é beeeeeeeem antiga.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A LITERATURA GAY DE NELSON LUIS DE CARVALHO

INTRODUÇÃO

O presente artigo traça um olhar sobre o primeiro livro publicado por Nelson Luiz de Carvalho. O Terceiro Travesseiro foi lançado em 1998 e atualmente está na décima terceira edição com mais de duzentas e trinta mil cópias vendidas, além disso, foi adaptado em 2005 para o teatro, ficando quatro meses em cartaz no eixo Rio-São Paulo com a direção de Regiana Antonini.

A categorização dessa obra no ramo da literatura gay atende exclusivamente as denominações mercadológicas, não abarcando nenhuma teoria essencialista sobre uma escrita ou uma estética gay. Ressalta-se porém que o livro trata ainda que superficialmente de temas pouco abordados na literatura brasileira, por exemplo, a homofobia e a saída do armário.

Ainda que tênue as relações entre realidade e ficção, chama atenção na obra de Nelson Luiz de Carvalho – o mesmo ocorre no seu outro livro, Apartamento 41 – o fato dos personagens serem pessoas conhecidas do autor. Sobre O Terceiro Travesseiro, Nelson em entrevista declara a existência de uma continuação da obra ainda não publicada - O Dia Seguinte - em que relata como vivem os personagens atualmente.

Neste artigo, traço um pequeno resumo do enredo para depois levantar alguns pontos que considero importantes na obra. Como instrumento teórico para essa análise utilizo alguns conceitos criados e/ou aprofundados pela teoria queer, por exemplo, heteronormatividade, normalização e narrativa de revelação.

O TERCEIRO TRAVESSEIRO

O livro conta a história do triângulo amoroso formado por três adolescentes brancos e de classe média alta: Marcus, Renato e Beatriz. Marcus e Renato são dois amigos de colégio que se apaixonam e passam a namorar, para concretizar a relação amorosa eles resolvem sair do armário para as respectivas famílias. Nesse momento conflituoso surge Beatriz, uma ex-namorada de Renato que termina se apaixonando por Marcus e acaba engravidando dele. Eles assumem então uma relação sexual e amorosa vivida a três até que Renato morre em um acidente de carro.

O ARMÁRIO

O primeiro ponto da narrativa que chama a atenção é a saída do armário dos personagens Marcus e Renato. Essa, aliás, é uma temática que quase sempre envolve os personagens não heterossexuais, ou seja, a presença desses personagens nas narrativas quase sempre envolve a confissão da sua identidade sexual. Isso é até justificável, já que é a partir dessa confirmação/afirmação que se acirra o choque entre a sociedade heterossexual e os indivíduos não heterossexuais, mas é também tematicamente redutor, já que a presença desses personagens parece sempre reduzida às suas confissões sexuais.

Essa saída do armário não é nunca absoluta e na verdade está bem longe disso, a revelação da homossexualidade dos jovens se restringe ao círculo familiar mais próximo: os pais e os irmãos. Fora da espera privada das famílias o tema é mantido em segredo e os garotos aceitam manter esse fingimento social. Os meninos não querem subverter nenhuma ordem, querem apenas a aceitação dos pais. Suas aspirações não são nem de libertação e nem de resistência e sim de tolerância familiar.

Esses dois personagens passam a viver conformados com a nova situação familiar e a antiga situação pública, em que eles mascaram a relação amorosa. Estranhamente o personagem Marcus, em diálogo direto com o leitor, parece incitar uma saída do armário mais ampla, mas que na verdade ele não realiza e não questiona no seu cotidiano.

“fiquei imaginando quantos caras deviam sentir o que eu sentia. Mas que, por vergonha ou sei lá o quê, preferiam viver uma vida mentirosa, ou pior ainda, uma vida totalmente sem-graça.”[1]

Na verdade, a vida de Marcus e de Renato continua a ser uma “mentira”, já que é necessário manter as aparências nos outros ambientes que não seja o doméstico. Mesmo quando Beatriz passa a morar com os dois e eles passam a viver uma relação a três, para o mundo exterior trata-se sempre de um casal heterossexual que divide o apartamento com um amigo.

HOMOFOBIA

A homofobia também é um assunto que quase nunca é discutido na literatura brasileira, poucos são os livros que abordam diretamente o tema. É através da saída do armário de Marcus e de Renato que a homofobia é abordada no livro.

Na família de Marcus, a notícia é recebida com o choro da mãe e com violência física e verbal pelo pai. Porém, durante a narrativa o pai passa a conviver bem com a homossexualidade do filho, enquanto que a mãe arma constantemente aproximações e jogos de sedução entre o filho e Beatriz, além de apelar para padres e pais de santo para “curá-lo”.

Na família de Renato, a notícia é recebida com mais agressividade. O pai chega a dar uma facada no filho e ele vai parar no hospital. Nesse momento, apesar de ser um tema pouco explorado pela narrativa, vemos os jogos de mascaramento das violências domésticas, em que o próprio violentado assume a culpa da agressão e justifica dessa forma a conduta do agressor.

As famílias que passam a tolerar a relação entre os dois jovens impõem um código de performatividade heterossexual que é aceito pelos dois. Eles não devem em lugar nenhum demonstrar uma relação afetiva que seja diferente da amizade entre dois homens heterossexuais. Na festa de aniversário de Marcus, por exemplo, quando ele vai oferecer o primeiro pedaço do bolo, a mãe desmaia só de imaginar que o primeiro pedaço pode ser dedicado a Renato, fato que chamaria a atenção de outros parentes.

O preconceito no livro, na verdade, não é resolvido e também não é muito problematizado, apesar de ser um dos temas principais da narrativa. Os personagens são simplesmente tolerados desde que se mantenham dentro de um modelo e de uma performatividade heterossexual.

“A ceia de Natal transcorreu quase que normalmente. Percebi que meus pais já se sentiam bem mais à vontade comigo e com o Renato. No fundo, esse alívio vinha do fato de nem eu nem ele darmos bandeira da nossa situação. Realmente nós parecíamos apenas amigos.”[2]

Os personagens também pensam em saídas clichês e românticas caso eles não sejam aceitos pelos pais, porém se conformam com a tolerância familiar.

“Eu prefiro não pensar nisso, Renato, mas se acontecer e você gostar de mim do jeito que eu gosto de você, só teria um jeito, cara, colocar a mochila nas costas e meter o pé na estrada.”[3]

HETERONORMATIVIDADE E NEGAÇÃO DA DIFERENÇA

A afirmação da normalidade dos personagens, ou seja, de uma performatividade heterossexual é uma constante no livro, fato que implica o tempo todo na negação de comportamentos afeminados. Estabelece-se assim uma hierarquia em que comportamentos próximos a um padrão tido culturalmente como masculino são valorizados, enquanto que comportamentos mais afetados são desvalorizados. Vejamos alguns exemplos:

“E tem mais, Renato, nós não somos afeminados e nunca seremos.”[4]

“Sabe, pai, continuo sendo a mesma pessoa, estudo, tenho boa educação, respeito os mais velhos, não fumo, não uso drogas e não sou promíscuo. Sabe, pai, apesar de sentir o que sinto, eu sou homem. Nunca vou me vestir de mulher. Nunca vou querer usar uma calcinha. Eu gosto de ser homem.”[5]

“É interessante como as pessoas fazem juízo errado de caras como eu. Quando se pensa em alguém assim, logo se imagina que o cara gosta de se vestir de mulher, gosta de ‘dar’ e gosta de qualquer homem, e isso, pelo menos para mim, não é verdade.”[6]

Os personagens também vivem dentro de papéis sexuais fixos, em que um realiza a posição de ativo e o outro a posição de passivo. Além disso, eles reproduzem o modelo de uma relação heterossexual monogâmica e na verdade Beatriz só se torna amante de ambos depois que ela engravida. Vejamos:

“Em relação a outros homens, somos religiosamente fiéis um ao outro.”[7]

O livro também é extremamente romântico, nele temos um casal, nesse caso composto por dois homens, que está em choque com a sociedade. Por isso, declarações de amor eterno sobram no livro. Não precisaria ser lembrado, que essa idéia de fidelidade e também de eternidade da relação amorosa foi criada na sociedade e reproduzida na literatura mundial para um casal heterossexual.

“Observando-o dormir de bruços e quase nu naquela imponente cama, me veio a certeza de que, por mais difícil que fosse, eu estaria disposto a enfrentar tudo e todos para poder viver com ele ao meu lado para sempre.”[8]

“Definitivamente, nós nascemos um para o outro. Para mim não existe vida sem ele.”[9]

CONCLUSÔES

Apesar de tratar de temas ligados ao universo não-heterossexual, os personagens estão inseridos dentro de um modelo heteronormativo, tanto na performatividade de gênero dos personagens como na construção das relações amorosas, há uma supervalorização da relação monogâmica e fiel, reproduzindo modelos românticos heterossexuais.

A afirmação da normalidade dos personagens e a conseqüente desvalorização da afetação também cria hierarquias dentro da comunidade gay. Se a literatura de Nelson Luiz de Carvalho é gay, então devemos acrescentar um outro adjetivo, assim, mercadologicamente falaríamos então em uma literatura gay heteronormativa.

BIBLIOGRAFIA

LUIZ DE CARVALHO, Nelson. O Terceiro Travesseiro. São Paulo, Mandarim, 2000.

RANIERI, Gustavo. Entrevista: Nelson Luiz de Carvalho. Disponível em: <http://gonline.uol.com.br/site/arquivos/estatico/gnews/gnews_entrevista_24.htm>. Acesso em: 14 de novembro de 2009.



[1] LUIZ DE CARVALHO, Nelson. O Terceiro Travesseiro. São Paulo, Mandarim, 2000, p. 15.

[2] Ibid. Pág. 34.

[3] Ibid. Pág. 15.

[4] Ibid. Pág. 11.

[5] Ibid. Pág. 21.

[6] Ibid. Pág. 8.

[7] Ibid. Pág. 12.

[8] Ibid. Pág. 14.

[9] Ibid. Pág. 24.